Um quarto da Mata Atlântica é de vegetação secundária, diz MapBiomas


Atualmente, 25% da Mata Atlântica é de vegetação secundária – que cresceu em áreas que já haviam sido desmatadas. É o que apontam os dados do MapBiomas, divulgados nesta segunda-feira (21), que acompanha as transformações do bioma desde 1985. De acordo com o levantamento, foi justamente essa vegetação secundária a que mais perdeu espaço nos últimos anos: 60%. É o que explica a pesquisadora da equipe Mata Atlântica do MapBiomas, Natalia Crusco.

“A maior participação da vegetação secundária na supressão está relacionada com a maior disponibilidade dessas áreas no território hoje em dia. A Mata Atlântica é um bioma historicamente muito ocupado e fragmentado. E grande parte dessas áreas que hoje apresentam vegetação secundária já passaram por algum processo de conversão no passado.”

Agropecuária

Por outro lado, essa perda de vegetação nativa da Mata Atlântica apresenta uma “tendência de queda ao longo da série histórica”. Natalia Crusco explica que o principal responsável pela “supressão” da área nativa é a agropecuária, que se expandiu ainda mais sobre a vegetação secundária nos últimos anos.

“A supressão da vegetação nativa está relacionada principalmente à conversão de áreas naturais para uso agropecuário. Mas uma dinâmica importante dentro do bioma é que a expansão da agricultura vem ocorrendo sobre áreas que antigamente eram áreas de pastagem e hoje são áreas ocupadas pela agricultura.”

Para se ter uma ideia, a agropecuária, atualmente, ocupa cerca de duas vezes mais espaço no bioma do que a própria vegetação nativa. Entre as produções que mais ganharam espaço na área da Mata Atlântica, estão soja, cana-de-açúcar e café.

A pesquisadora do MapBiomas também destaca a importância de leis que ajudam a proteger o bioma, como a lei da Mata Atlântica.

“Um instrumento legal importante para a preservação e a conservação do bioma. É um bioma muito fragmentado, com menor cobertura nativa entre todos os biomas. Toda a vegetação é muito importante para que ele seja preservado. Então, qualquer perda de vegetação, seja ela primária ou secundária, tem um impacto muito grande dentro do bioma.”

Invasão de cidades

Os dados ainda mostram a invasão das cidades no bioma. Entre 1985 e 2025, as áreas urbanizadas da Mata Atlântica mais que dobraram. Esse é outro tipo de ação humana que atinge esse bioma.

No Brasil, a Mata Atlântica se estende, principalmente, por todo o litoral, do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul. Atualmente, possui pouco mais de 12% de toda a floresta original.




Fonte: Agência Brasil